Longa vida aos quiosques

 
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Há cada vez mais revistas independentes, mas o que significa isso para os quiosques, esses lugares tão característicos e comuns que raramente deixam alguém indiferente às suas montras? Se por um lado a nostalgia nunca deixou o papel morrer, precisamos de recordar que sair de casa para comprar uma revista é, mais do que um mero acto de consumo, uma oportunidade de descoberta.

Depois do papel ter sido rotulado como um meio em extinção, muitos foram os quiosques que deixaram de existir. O medo do online abalou a moral das redações e chegou aos vendedores de revistas e jornais como um dominó em queda. Em 2008, Chris Anderson, o editor da revista Wired, previa que na próxima década os jornais teriam de mudar drasticamente, e que as revistas continuariam a ser muito similares às que sempre conhecemos. Tal como a maioria das deduções futurísticas, hoje sabemos que o futuro não foi tão previsível como se esperava.

À medida que os gigantes do meio editorial recuavam nos seus valores e cediam ao online, editores independentes viram uma oportunidade de recuperar a criatividade do impresso. Se a morte já estava anunciada, ninguém tinha nada a perder. Assim, trocaram-se os ideias de quantidade pela qualidade e o mainstream deu lugar a uma infinidade de nichos. Os quiosques aproveitaram esta nova vaga e reinventaram-se. 

Quando abrimos o Manifesto, a nossa estante já ansiava pelas revistas que brilhavam além fronteiras. Assim, começámos a nossa escolha criteriosa das melhores publicações independentes e construímos um espaço que lhes fizesse juz. Para isso, juntámos à oferta de revistas o café de especialidade e uma galeria dedicada à fotografia documental. Experiências que nos fazem abrandar e apreciar o tempo dedicado ao lazer.

Talvez tenha sido essa a razão porque a compra de revistas nunca migrou totalmente para as lojas online. Sentir o peso de uma publicação, o cheiro do papel e folhear as suas páginas são sensações que ninguém parece querer perder. A isso junta-se o desejo de descoberta e a vontade de encontrar revistas que nem sabíamos que existiam.

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Numa era marcada pela constante presença de ecrãs no nosso dia-a-dia, é extremamente reconfortante recuperar velhos (bons) hábitos que não implicam o uso de tecnologia. Perdermo-nos num quiosque é uma dessas experiências, quase nostálgicas, que nos revitaliza e enche de inspiração. Podíamos agradecer aos editores que não deixaram as revistas morrer ou à necessidade de termos espaços de conversa e partilha num mundo cada vez mais digital. Independentemente da razão porque continuam a existir quiosques como o nosso, a verdade é que o sentimento de comunidade que eles nos proporcionam traz humanidade a um futuro que se julgava impossível.

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Vem descobrir o nosso quiosque, conversar connosco sobre as tuas publicações preferidas e perder-te na nossa estante. Esperamos por ti!