Fare

 

A revista Fare surgiu com o propósito de nos fazer viajar por histórias cativantes sobre a cultura, os costumes e as comunidade de uma cidade. Mais do que guiar-nos sobre o que devemos ver, ler e fazer, esta publicação quer transmitir-nos a essência de um lugar. Nas suas páginas somos convidados a deixar-nos emergir por pequenos relatos, entrevistas honestas e peculiaridades curiosas. A gastronomia ocupa grande parte do conteúdo da revista, uma opção editorial que nos faz refletir sobre a importância da comida como espelho da história e dos costumes de um povo.

De acordo com a entrevista que Benjamin Mervis, editor da Fare, deu à Stack, o propósito da revista não é maquilhar as cidades como ideais turísticos, mas antes apresentar as pessoas e as suas histórias comuns.

 

I wanted to show the beautiful chaos of the city through the lives of ordinary people of different stations and backgrounds. Fare is more about ‘maintainers’ than ‘innovators’, and I wanted a publication that would appreciate small quirks, or interesting anecdotes about the city that you might otherwise look past. The tea maker in the Grand Bazaar was a great example of that — what he’s making isn’t innovative, mind-blowing tea, he’s not even using the traditional equipment, but still there’s something fascinating about his story. I wish we could have shown you the medieval courtyard that sits just next door to his console too. It’s fantastic.”
 

É já sabido que as cidades são feitas pelas pessoas, guardiãs da memória colectiva de um lugar, mas a Fare consegue transmitir com simplicidade esse sentimento. As pequenas ilustrações, as fotografias em cores mate e a organização da revista transmitem uma certa familiaridade disfarçada de nostalgia, como um álbum de família com histórias que temos sempre vontade de recordar.

 

“Fare connects armchair travelers with immersive and nuanced stories from cities around the world, and serves as a kind of roadmap for those who are ready to make the actual trip to see things for themselves. Fare introduces its readers to a single city and lets its locals do the talking: taking you down backstreets and through forgotten histories, exploring neighbourhoods and local institutions, and doing more than just taste the food on offer.”
 

A Fare começou em Istambul, uma metrópole pousada entre dois continentes, uma cidade que foi capital de império e que agora próspera diversidade. Com uma cultura de migrações que remonta ao século passado, Istambul é hoje casa de povos oriundos da Europa de leste, do Norte de África e do Médio Oriente. A riqueza étnica que caracteriza Istambul é o que torna esta cidade tão vibrante e repleta de vida. Na sua primeira edição, a revista Fare deu-nos a conhecer a cidade através do olhar dos artistas, cozinheiros, escritores e músicos que fazem de Istambul uma meca histórica e cultural.

As histórias relatadas fazem-nos serpentear por caminhos onde nunca estivemos, deixam-nos com vontade de saborear sobremesas esquecidas no tempo e de nos perdermos em melodias turcas.

 

“One of Fare's jobs is to educate and excite you about its featured city. As with all future issues, Fare's Issue 1 begins with a thematic crash course, an introduction for beginners and a refresher for Istanbul-lovers. Through the crash course you'll learn the essence of what makes Istanbul the city it is today (and throughout the past). At the end of the volume you'll find a glossary full of local terms and histories.“
 

Quando acabámos de ler a revista Fare, ficou o desejo de visitar Istambul e sentir a energia que a revista nos transmitiu. Ainda não fomos a Istambul mas quando descobrimos que a próxima edição iria ser sobre Helsínquia o nosso entusiasmo cresceu. Desta vez já conhecíamos a cidade e isso deixou-nos ainda com mais curiosidade sobre o que a revista teria para nos oferecer. Sem mais demoras começámos a ler a revista e, como já imaginávamos, não ficámos desiludidos.

Como um roteiro histórico e gastronómico, a Fare dedicada à capital da Finlândia, leva-nos a conhecer a cidade através dos mercados cor de laranja típicos da cidade, de uma visita até ao castelo de Suomenlinna e de fotografias coloridas que apelam ao conforto do silêncio. De acordo com o editor da revista, a sua formação em história medieval e a experiência profissional a trabalhar no programa Chef’s Table deram-lhe uma perspetiva diferente na forma como a comida e a cultura se interligam.  Em conversa com a MagCulture, o editor Benjamin Mervis caracterizou-se como um "history nerd" apaixonado pelo mundo das revistas independentes. 

De tudo o que lemos ao longo desta revista, houve três artigos de que gostámos particularmente:

Orange Porridge Nostalgia

Um artigo nostálgico sobre os mercados de Helsínquia e como têm mudado ao longo dos anos.

 

“Today it’s the very same purpose that brings me back to this particular tent again and again, no matter if it rains or snows. To feel connected to such a space that is essentially public - a place for everyone - might as well be odd, but in these times of hyper-globalisation and boundless accessibility to most things once foreign, my heart softens for folks like Raija who find pride and responsibility in sticking to certain ethics and tradition.”
 

Seurasaari

Um ensaio fotográfico sobre a  ilha de Seurasaari, um lugar com edifícios centenários escondedios em densas florestas.

 

“The island is connected to the mainland by a great white wooden bridge, It is home to 87 buildings drom the seventeeth, eighteenth, and nineteenth centuries, including nearly complete farmsteads, manors, and churches of Finland, in old Karelia. This extensive, ambitious project was the work of Professor Axel Olai Heikel.”

 

Helsinki Mon Amour

Uma conversa sobre o que torna a cidade de Helsínquia num lugar difícil de esquecer.

 

“Katariina Lamberg is a Helsinki Native that runs a Paris-based design studio. Maria Veitola was raised along the country’s Russian border and today runs Radio Helsinki. The two Finns met in Paris, years ago, and continue to bond over their shared love of the city”

 

Ler a revista Fare é como perdermo-nos numa nova cidade só para depois descobrimos conforto e familiaridade no desconhecido.

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