A minha pilha é a maior, Mariana Barbosa

 

“A minha pilha é a maior” é uma série de entrevistas a leitores apaixonados por publicações independentes. Nesta edição a Mariana Barbosa, responsável pelo projeto jornalístico ECO, revela-nos a sua pilha.

Quem é a Mariana? 

Nasci em 1985, sou a mais velha de cinco irmãos. Estudei numa cidade pequena, de onde me mudei apenas quando entrei para a Universidade para estudar jornalismo. Na altura, não tinha a certeza que queria ser jornalista: sabia apenas queria trabalhar com pessoas. E adorava escrever. Sou jornalista desde 2007, e tive a sorte de integrar várias redacções desde o dia 1: jornal i, Tentações, Dinheiro Vivo e, mais recentemente, o ECO. Adoro viajar, conhecer sítios e pessoas inspiradores. Se escrever sobre ambos, perfeito. Conto sobretudo histórias de fazedores: gente que pensa e cria negócios. 

 

Fala-nos um pouco sobre o ECO, o novo projecto jornalístico em que estás envolvida.  

O ECO é o primeiro jornal mobile first português, o que quer dizer que, mais do que nunca, vamos ter com os leitores. Isso tem um potencial gigante mas também é um enorme perigo porque, não indo ao encontro dos seus interesses e gostos, corremos o risco de ser "corridos" das vidas - e sobretudo, dos telemóveis - deles. É um jornal jovem, de publicação online mas que tenta equilibrar essa rede com uma presença offline forte, em conferências e outros eventos relacionados com os negócios que interessam aos nossos leitores. Foi pensado para pessoas que sabem muito de negócios e de economia mas que se preocupam sobretudo com a economia real e com a maneira como esses negócios têm impacto na vida.  

 

Como surgiu a tua paixão pelo mundo das publicações independentes? 

Não digo que tenha uma paixão sobre o mundo das publicações independentes mas sobre publicações em geral. As fotografias bonitas, o cheiro do papel - novo ou velho, tanto faz - e as boas histórias são factores mágicos por si para me levarem a comprar, a lê-las e a recomendá-las. 

 

Qual é a primeira revista que te lembras de ler? 

Talvez a primeira revista que li tenha sido a Super Jovem. Fazia coleção de todos os números e acho que foi há bem pouco tempo que a deitei fora. Pendurava os pósteres de estrelas da música e do futebol nas portas dos armários do quarto e participava nos passatempos, envolvia-me à séria (mesmo sem redes sociais, incrível, não é?). Mais tarde, lembro-me que adorava a revista XIS, do Público. Lia-a todas as semanas.

 

Quais são as tuas 5 publicações favoritas e o que têm elas de especial? (fiz batota)

RIPOSTE

Muito focada na valorização feminina, conheci a Riposte há certa de um ano n'O Apartamento, e tive a oportunidade de conhecer uma das fundadoras, em Lisboa. Fiquei com vontade de escrever para a revista, o que já por si é um bom indício para sentir que gosto de alguma coisa. Bom gosto visual e histórias bem contadas. Se podermos juntar à equação Chicas Poderosas, melhor ainda. 

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THE GENTLEWOMAN

Mais uma de mulheres para mulheres. Bonita, bem fotografada, bem ilustrada e com temas bem escritos e que importam. Adorei a capa da Primavera, com a Sofia Coppola.

MONOCLE

Sei que não é uma novidade mas, em matéria de novas publicações, disruptivas e que souberam pensar e fazer um produto valorizado e gostado, a Monocle constitui-se como um caso de estudo. Começando no cheiro e na gramagem do papel, passando pelas cores e pelas infografias e acabando na maneira como aborda os assuntos - profundamente mesmo que sejam artigos breves - adoro tudo. Só tenho a lamentar uma coisa - a quantidade de publicidade. Mas isso são ossos do ofício, já se sabe. Além da revista devoro também alguns dos vídeos e podcasts. 

FLOW

Não é uma revista que compre muito mas, sempre que olho para a capa, é tão bonita e fala de parar nos tempos corridos que vivemos. E isso, só por ser contra corrente, já tem valor. Comprar revistas e ler, calmamente, saborear os conteúdos, faz parte daquilo que é hoje uma parte importante do jornalismo: ler para pensar. É nisso que devemos pensar também quando lemos e... claro, quando  escrevemos revistas e jornais. 

AMBROSIA

A minha última descoberta. É feita nos Estados Unidos, a cada número, sítios diferentes do globo, visitando muitos negócios e fazendo ensaios co chefs. Uma revista de viagens e de comida (o único tipo de programas que anda me prendem à televisão). A ideia geral é contar histórias com um enorme cuidado com a fotografia. E isso percebe-se tanto na capa como na qualidade de papel ou na escolha da letra. Gosto muito. E podia fazer uma assim. 

INTERN

Toca um dos assuntos mais prementes de hoje: a procura e a oferta de trabalho. E, nesse sentido, tem quase como missão ajudar os leitores a encontrar 'um caminho'. Ou, pelo menos, a mostrar as várias alternativas. 

 

Se fosses editora e tivesses recursos infinitos, como seria a tua publicação ideal?

Gostava de ter espaço para contar histórias: infinito online, finito no papel, mas sempre histórias bem contadas, com um enorme cuidado com a dignidade dos protagonistas, detalhe, fotografias realmente cuidadas, papel de qualidade, grosso, com um cheiro inesquecível. Uma revista onde o papel e a fotografia tivessem o mesmo protagonismo em impacto e em conteúdo. Inspirações? A brasileira Piauí, a argentina Anfibia ou a mexicana Gatopardo. Gostava muito de ter uma revista deste género, em Portugal, feita por jornalistas portugueses.