Migrant - Wired Capital

 
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O propósito da revista Migrant foi claro desde a sua criação - suscitar o debate sobre o que significa falar de migrações no século XXI. Porque apesar das migrações fazerem parte da génese da humanidade, o seu relato continua a estar associado a uma narrativa pejorativa e cheia de lugares-comuns. Foi neste contexto que o Migrant Journal pediu a artistas, jornalistas, investigadores, designers e cidadãos que repensarem o conceito de migrações e a sua influência nos espaços que habitam.

O primeiro número da Migrant focou-se sobretudo na influência que a recente crise de refugiados teve nas zonas rurais - uma vez que foram os campos, não as cidades, as principais zonas de passagem para milhares de refugiados sírios. 

Outra temática recorrente na revista é o debate sobre o que significam as linhas imaginarias a que chamados fronteiras. Catarina de Almeida Brito, editora do Migrant Journal, disse em entrevista ao Manifesto que se tivesse de escolher um artigo que definisse a revista, ela escolheria o Italian Limes, sobre a equipa de designers que, em conjunto com cientistas e com o centro de Cartografia Militar Italiano, desenvolveu um aparelho que traça o movimento dos glaciares, desenhando a linha da fronteira em tempo real.

O segundo número do Migrant Journal é dedicado às contradições que existem entre as restrições impostas na circulação de pessoas e a crescente aceleração na circulação de bens, serviços e dinheiro. A ironia desta situação serviu de mote a dezenas de artigos em profundidade sobre capitalismo, globalização e humanidade. O resultado é um conjunto de reflexões sobre a relação entre os recursos do nosso planeta e a circulação de capital.

Um dos artigos que mais captou a nossa atenção foi a entrevista Move to Work feita a Michiko Ito sobre o impacto da emigração provocada pela procura de trabalho nas comunidades.

"In Eastern Myanmar's rural communities, they say "Wealth isn't measured by how many acres of land you have, it is about how many of your children work in Thailand". For decades now, Myanmar nationals have moved in search for better jobs - more people emigrate from Myanmar than any other country in the Greater Mekong Sub-Region."

Também gostámos de ler o artigo Algorhythmic Horizon sobre como o designer Shintaro Miyazaki mistura os conceitos de algoritmo e comunismo.

"With Marx's Capital as his starting point, he historically reviews the wire that has enabled capitalism. Reflecting on sound, rhythm, communism, migration, but also 19th century physiology, he brings into the conversation, a variety of thinkers such as Jodi Dean, Bruno Latour, Benjamin Bratton and Henri Lefebve to propose intense and fascinating piece linking various aspects of migration and capital aptly illustrated by Juan Carlos Molina Vela."

O Migrant Journal explora este e outros temas ao longo de 139 páginas criteriosamente desenhadas para expressar o tema das migrações através de diferentes áreas e pontos de vista.

A revista está disponível no nosso quiosque e loja online.