3 revistas que nos convidam a abrandar

 

O sol é quente e a preguiça espreita, o fim-de-semana está ao virar do dia mas a nossa mente já lá está, imersa num estado doce de pura serenidade. Para que a pressa não nos tire a vontade de desacelarar e abrandar, decidimos fazer uma pequena seleção de revistas que nos convidam a apreciar os domingos de primavera.

 
 

KINFOLK

Apologista de um estilo de vida calmo, a Kinfolk seria uma escolha óbvia para esta lista, mas ao lermos o seu último número, dedicado aos fins-de-semana, percebemos que mais do que essencial, esta revista é imprescendivel para um sábado passado com os pés entre a areia e o mar.

"We revisit some classic ways to pass the weekend hours, like re-reading beloved books and doing laundry. We also give advice on how to embrace ennui: how to do nothing, trust our internal navigation systems to explore, get naked and - importantly in today's world - use our time in a meaningful way to advocate for society's most vulnerable."

O QUE MAIS GOSTÁMOS DE LER:

How to sleep: A Short Guide

Ao longo deste artigo, fala-se da importância do sono e da necessidade de encontrarmos o nosso próprio equilíbrio.

"While our need to spend roughly one-third of our lives asleep is a constant, albeit a mysterious one in evolutionary terms, the presumption that we should take sleep in one unbroken chunk is relatively new. Both historicaly and cross-culturally, there are huge varieties in the time, place and patterns in which people sleep."

On the Waterfront - Words by John Clifford & photography by Ken Heyman

Um artigo sobre as férias de verão do compositor Leonard Bernstein na costa Italiana no verão de 1967.

"There, he would bathe on hot stones by the lapping sea before returning to his family’s rented villa in the evenings. The Bernsteins regularly declined invitations to attend dinner parties in favor of rest and leisure—of reading or playing a hand of cards together in the shade of the orchard or plunging into the pool. The days passed slowly and began to revolve around the Tyrrhenian Sea."

 
 

NEVOAZUL

A necessidade de abrandarmos e de abraçarmos a simplicidade é o mote para a revista Nevoazul. A edição mais recente da revista aproveitou a temática do ruido para nos fazer parar e observar o que nos rodeia, sejam as flores que queremos guardar ou os restaurantes que nos obrigam a abrandar e a apreciar os pequenos prazeres terrestres que dão cor aos nossos dias.

"Falar em ruído é mais do que falar no barulho que nos incomoda ou no som que irrita o nosso ouvido. É a existência de algo que nos tenta distrair. Por vezes, este mar informativo parece que nos imerge, deixando-nos à deriva, em águas turvas, sem uma bússola para nos orientar. 
Mais do que um mapa, queremos que a Nevoazul nº2 seja uma espécie de icebergue, um aglomerado de gelo, cujo topo, nos permite ver mais além."

O QUE MAIS GOSTÁMOS DE LER:

O Azul do Invisível de Rodolfo Oliveira

Um artigo sobre a técnica da cianotipia e a forma como nos faz apreciar os elementos naturais.

"Contemplando o azul mutável e fluido, tecendo as imperfeitas geometrias que nele adivinham, os bosques crescem em silêncio e assim o farão para sempre, imagino. Também eu continuo a preferir o silêncio de um azul grave imperfeito à estridência polícroma em alta resolução; ainda não me cansei de ver folhas das árvores ou dos fetos e não preciso de mais, nem de novo."

 
 

VESTOJ

A moda é um auxiliar recorrente da mudança e da evolução mas, lamentavelmente, também do desperdício e do descartável. Contrariando a tendência dos tempos modernos que nos tenta impingir a ideia de que o que vestimos hoje não deverá servir para amanhã, a Vestoj dedicou um número 5 da revista à ideia de Slowness, abordando aquilo de que mais gostamos na moda: os detalhes, a história e as peças que duram tempo suficiente para sobreviverem aos amores e disabores do dia-a-dia. Num dia quente de primavera, nada como ler esta pequena revista em formato de livro para valorizarmos o que já temos.

"So, allow yourself to be idle, to dwell a moment, to delay and iterate. Use your hands to make something a machine could make much faster. Look for the beauty in the impermanent, the imperfect and the incomplete. Take your time. Because, as the writer Rebecca Solnit once so succinctly put it, ‘Time always wins; our victories are only delays; but delays are sweet, and a delay can last a whole lifetime.’

O QUE MAIS GOSTÁMOS DE LER

The contemplative Life by Father Michael Casey OCSO, as told to Laura Gardner

Um artigo sobre a importancia do hábito usado no mosteiro de Tarrawarra Abbey para uma vida dedicada à contemplação.

"When you make your commitement as a monk, after five or six years of probation, you are oficially clothed in this garment. The experience of being brought into monastic life. You become part of the fabric. The actual experience for the wearer is to be enveloped, and it induces a thoughtfull, sober mood. It's not frivolous. At the same time, nothing could be simpler in terms of the shape of the garment. But it's not a totally impractical garment, so long as you don't want to do a lot of things. If you want to sit, it's perfectly comfortable, but it gives the kind of sobriety that's inductive to the contemplative life."

 

Vem visitar-nos ao Manifesto e fica a conhecer estas e outras publicações.