António Sá - 22 anos de viagem / 22 fotografias

 

Pegar em duas décadas de viagens fotográficas e espremê-las em 22 fotografias nunca é uma tarefa fácil. Ter como matéria-prima o profícuo trabalho de um dos pioneiros da fotografia de viagem em Portugal torna-a ainda mais exigente! Assim foi o processo que antecedeu a inauguração da exposição “22 anos de viagem | 22 histórias” no passado dia 22 de Abril. A segunda exposição Manifesto de 2017 é uma retrospectiva da carreira fotográfica do fotojornalista António Sá, que visitou mais de 30 países em missão fotográfica, contando no curriculum com colaborações com títulos como National Geographic, Volta ao Mundo, Evasões ou Grande Reportagem e que durante anos foi também líder de viagens da agência Nomad. As imagens mostram o seu percurso enquanto viajante, com a foto mais antiga a remontar ao início de carreira, em 1995, realizada no Bornéu e publicada na revista de referência da época, a Grande Reportagem, então sob a direcção de Miguel Sousa Tavares. Que prossegue por muitas viagens pela Europa, América, África e Ásia, coincidindo com a transição do filme para o digital e culminando num regresso a casa, nos estaleiros de Viana do Castelo, com fotos realizadas já em 2016. 

A edição e selecção de apenas 22 fotografias de um acervo tão vasto como o do António obedeceu a vários dos critérios subjacentes à linha editorial da galeria Manifesto: mostrar diversidade geográfica, suscitar curiosidade pelas culturas fotografadas, encontrar um equilíbrio entre estética formal e conteúdo documental. É também um dos casos em que o intra-texto, as estórias que enquadram as imagens, são uma parte extremamente importante do documento no seu todo. Desde as vivências simples e quotidianas de uma família na China, com quem o fotógrafo viveu uma semana sem que nenhuma das partes falasse uma única palavra em comum, até às paisagens idílicas da Islândia, em que foi atacado por andorinhas-do-mar em fúria, um dos requisitos da selecção de imagens foi que estas transmitissem algo mais do que apenas instantes belos, e que contassem estórias sobre o objecto fotográfico. Naturalmente muitas, muitas ficaram de fora desta selecção, como sempre acontece nestes processos. Mas este trabalho comprova que nem sempre é necessário atravessar meio mundo para nos surpreendermos – uma das fotos mais intimistas foi tirada da janela de casa do próprio fotógrafo que, numa curva apertada no seu percurso profissional e pessoal, se mudou com a família há alguns anos atrás do Porto para uma pequena aldeia em Trás-os-Montes, no Parque Natural de Montesinho. No seu discurso percebe-se também que esta opção alterou significativamente a percepção fotográfica e humana que tem do mundo. A urgência de fotografar abrandou, quando o faz é de forma mais consciente, mais pausada. A curiosidade, essa, mantém-se no seu olhar, que brilha com uma jovialidade que não denuncia a longa jornada já percorrida...!

Assim, o convite para esta viagem visual por quatro continentes e 11 países fica feito: a exposição está patente ao público até Julho na Galeria Manifesto, de 3ª a Sábado, das 10h00 às 19h00.