Conversas de café

 

O sol de primavera enche o Manifesto e reflete uma luz suave no vidro da Chemex. Um convite para prepararmos um café cuja história vem de longe. Vamos utilizar grãos vindos da bela cidade de Amaluza, em Loja, uma das províncias mais a sul do Equador. Os grãos foram lavados, fermentados e secos ao sol, nas fazendas de dez pequenos proprietários locais. Depois de pesados, os grãos estão prontos para serem moídos, dando inicio a um ritual que durara mais de dois minutos e meio. 

Enquanto o moinho tritura os grãos do Equador, o aroma a sultanas e chocolate começa a sentir-se no ar. Está na altura de começar a preparar a extração. Depois de colocarmos um filtro em cone na Chemex, começamos a acrescentar água num jogo de tempos e medidas que promete a chávena ideal de café.

Entretanto, à nossa frente, alguém espera, ansioso, pelo seu café. O ritual dá sempre lugar a perguntas - quanta água, quanto café, sentirei o leve sabor a passas no final? Dois minutos e meio dá para muita conversa. Falamos sobre os grãos e sobre a extração, descobrimos que ele adora fotografia documental, que ela já estive no Japão. 

Delicadamente, transferimos o café do bule de vidro para o copo. O processo está terminado mas a conversa continua a andar. Ele diz que é designer editorial, ela lê a The Gentlewoman sem parar.  Nunca um café expresso daria tempo para tanta conversa.

Ainda embalados pelo gosto a café, pegamos na revista Standart que acabou de chegar ao nosso quiosque e começamos a ler sobre a barista Michelle Johnson. 

"I became obsessed with the dedication everyone around me had to coffee - starting at origin, to processing, to roasting, and how all of this translated to the final cup. one of my favourite parts of specialty coffee is that we spend a great deal of time mulling over the process. over the course of my career, I've realized that I enjoy preparing coffee more. than actually drinking it. but the final product leads to the other part of specialty coffee I live for: community". 

Sorrimos para a revista e pensamos em como o sentimento é reciproco. Entretanto chegam mais pessoas ao Manifesto com vontade de café e estórias por contar. E nós, encantados, começamos a moer o grão.