Manifesto x Paulo Moura

Fotografia de Paulo Moura no Iraque

Fotografia de Paulo Moura no Iraque

 

Uma das missões do Manifesto é ser o promotor da Bolsa de Exploração Nomad, um fundo anual de 10.000€ que apoia a curiosidade e a inquietude. Financiando projetos e viagens com um impacto positivo ou que contribuam para um melhor conhecimento do nosso planeta e dos povos que nele habitam. A agência de viagens aventura Nomad é também o criador do Manifesto.

Temos por isso orgulho em anunciar que parte da Bolsa de Exploração Nomad 2017 vai ser entregue ao jornalista Paulo Moura, na categoria “reportagem”, para financiar um projecto jornalístico a ser revelado nos próximos meses. 

Vivem-se tempos conturbados. As televisões e as notícias de última hora fazem-nos acreditar que o perigo está sempre à espreita, a um acaso de distância. Na revista Granta Portugal, dedicada ao "Medo", Carlos Vaz Marques escreve sobre esse estado de apavoramento que nos faz querer dar dois passos atrás ou cinco em frente, caso a coragem esteja do nosso lado.

Há no medo qualquer coisa de íntimo. Não é de se andar a exibir por aí, sem mais nem menos. Nunca confessaremos a ninguém todos os nossos medos. Nem a nós próprios. Alguns, de tão recônditos, manifestam-se por caminhos ínvios. São múltiplas as suas declinações. Condenados ao medo, é o que soubermos fazer dele que ditará o desastre ou a salvação. Como uma flor carnívora, o medo fascina e repugna”

 
Fotografia de Paulo Moura no Iraque

Fotografia de Paulo Moura no Iraque

 

O escritor e repórter Paulo Moura, nascido no Porto em 1959, finta o medo, sem o evitar, nem confrontar, e usa-o a seu favor. Jornalista do Público durante 23 anos, fez a cobertura de alguns dos piores conflitos que conhecemos, escrevendo reportagens diretamente do Kosovo, Afeganistão, Iraque e Líbia, para enumerarmos apenas algumas das várias zonas de crise que pisou, viveu e sentiu.

Para nós é surpreendente como Paulo Moura consegue guardar um país, uma sociedade, uma guerra, em palavras convidativas sobre assuntos repletos de seriedade e terror. Talvez seja como a Alexandra Lucas Coelho uma vez referiu:

Há no olhar dele uma perpétua juventude sem julgamento, uma disponibilidade para a comédia humana que vem de uma total, genuína curiosidade. Na mão dele, nada do que é humano nos é estranho”.

Esta estranheza que se entranha, sem pedir licença, faz de nós, leitores, curiosos aventureiros. Enquanto a escrita de Paulo Moura fluí na nossa imaginação, o conteúdo das suas reportagens levam-nos até ao outro lado do mundo e assentam-nos os pés na terra.

Daremos mais notícias nos próximos meses.