Delayed Gratification - Notícias que chegam sem pressa

 

A Delayed Gratification, tal como o Manifesto, apoia uma narrativa lenta mas ponderada. Assim que abrimos a revista encontramos logo um pequeno editorial, que nos explica, brevemente, a importância do slow journalism para a compreensão real das notícias e do mundo em que vivemos.

Today’s ultra-fast news cycle rates being first above being right. It gives us the beginning of stories but rarely their end. It promotes knee jerk reactions and clickbait journalism over context and perspective. It lends significance to social media nonsense, extreme opinions and celebrity fluff.”

Seguindo esta ideia, a Delayed Gratification chega até nós com um atraso propositado. A revista que hoje seguramos não vai falar-nos sobre as notícias de ontem. O que vai preencher as páginas que folheamos são os acontecimentos que já há muito deixaram de ser notícia, mas que continuam a ter repercussões no estado da sociedade actual. A ideia pode parecer estranha, mas este espaçamento temporal dá espaço para os acontecimentos se desenvolveram,  permitindo aos jornalistas fazer uma análise cuidada, e sem a pressa, do momento presente. 

 
 

Um dos artigos da Delayed Gratification que retrata de forma exemplar esta ideia é o “Against the tide”, da edição número 23 da revista. Nesta entrevista, o fotógrafo documental Vlad Sokhin fala sobre a sua viagem até à nação remota de Tokelau, onde retratou o impacto que o aquecimento global tem no quotidiano dos seus habitantes.

“I have been documenting the impact of climate change on Pacific islands for four years. I have seen villages destroyed by cyclones, coral reefs bleached beyond recognition and economies destroyed by falling fish stocks, but Tokelau is a rare positive story. It is a great and important example of how people manage their limited land and resources for the common good. I was happy I was able to capture that.”

Ler sobre assuntos que já passaram de validade para as televisões e para os jornais diários ajuda-nos a perceber que as pessoas por trás das notícias e dos eventos não se extinguem depois de saírem do nosso feed de notícias. Esta é possivelmente uma das principais razões porque a Delayed Gratification é das publicações de que mais gostamos, por nos fazer sentir que há acontecimentos que merecem mais do que meros cinco minutos de fama.

 

A IMPORTÂNCIA DO JORNALISMO LENTO

A revista Delayed Gratification assenta na valorização da qualidade sobre a quantidade. Esta ideia aplicada ao jornalismo privilegia a investigação face à necessidade de produzir informações de forma rápida e inconsequente. Mais do que serem os primeiros a anunciar a última notícia do momento, os editores desta publicação defendem que o jornalismo de qualidade deve assentar em análises e opiniões de especialistas e para isso o tempo é uma variante indispensável.

Falar em "slow journalism" é defender uma forma de interpretar a realidade que vai além da competição constante com a velocidade do Twitter. Numa era em que os cortes nas redações está na ordem do dia e em que os lugares-comuns preenchem cada vez mais páginas de jornais, a Delayed Gratification apoia fortemente jornalistas que queiram ir para o terreno descobrir as histórias que os clichés escondem. 

 

ENTREVISTA COM MATTHEW LEE - Editor da Delayed Gratification

Tivemos oportunidade de entrevistar o Matthew Lee, um dos editores da Delayed Gratification, para a rubrica do nosso blogue "Gente do Papel". Ao longo desta entrevista, Matthew falou-nos sobre a importância do slow journalism e os desafios que tem encontrado para manter uma publicação independente.

 

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We live in an age of speed, where information and quantity are often misled by knowledge and quality. This has an immediate impact when we talk about how we consume news. Do you believe we need to slow down to understand what is happening around us?

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Slow journalism is about slowing down the news cycle to produce journalism with depth, accuracy, context and perspective – something everyone in our team felt was sorely needed with today's ultra-fast news cycle. The news media’s obsession with breaking news means they’re constantly chasing headlines and rarely stepping back to try to understand how news stories affect people’s lives and change things in the long term. We’re not advocating Slow Journalism as an alternative to ‘fast news’ but we think it’s healthy to have outlets offering ‘slow’ perspectives to complement the mainstream media.

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Thanks to the internet, we have more information than ever. But, for some reason, we are constantly reading the same fake news and watching the same viral videos. Meanwhile, we have a new wave of print publications that proof that paper isn’t dead. Do you believe that the upcoming digital generation will see slow journalism and printed publications as something trustworthy?

We have lots of young interns work with us, and it’s really encouraging to see how enthusiastic millennials are about journalism and printed publications. I think trust is part of the reason – while information on social media can easily be edited, doctored or deleted, and you can never be entirely sure where it's from, information in print is permanent and you know exactly who’s produced it. It’s more substantial.

Lê a entrevista completa

 

Descobre as edições anteriores da Delayed Gratification no nosso quiosque