Gente do Papel: Pedro, Gerador

 

Quem é o Pedro? 

Pedro Saavedra é um sonhaador com dois aa. É um artista que escreve, representa, pensa e programa como alguém que gosta (sempre) de acordar todos os dias. Formado pela ESTC, já foi actor, escritor, professor, encenador, programador e editor. Foi professor de expressão dramática durante 5 anos. Foi director artístico, de uma companhia de teatro na cidade da Amadora, durante 8 anos. E foi programador, de uma estação de metro no centro de Lisboa durante um ano. Actor em novelas, séries e filmes, também faz locuções, mas só ficou famoso uma vez por dizer na televisão: “Este canal acaba de ser comprado pelo Sr. Nuno Cabral de Montalegre e a partir deste momento só passará folclore transmontano”. Neste momento trabalha na direcção da Associação Cultural Gerador, onde é director artístico, programador e director de uma revista bimestral sobre a cultura portuguesa.

O Gerador é uma associação cultural que pretende melhorar a auto-estima do povo português através da cultura e identidade portuguesa. O que vos levou a criar uma revista?

O amor e a saudade. O amor sobre todas as coisas que nos fazem ser portugueses e não outra coisa qualquer e a saudade de podermos colocar a cultura portuguesa no colo de cada um. A revista é assim uma declaração de amor que podemos levar ao colo. 

Quem são os vossos leitores?

São pessoas curiosas sobre a sua própria cultura, turistas que adoram fotografias de azulejos, jovens que querem muito ser artistas e velhotes que ainda são do tempo de outras coisas. Enfim, portugueses de todos os costados e locais.

 
Pedro Saavedra, director da revista Gerador e sonhaador com dois aa.

Pedro Saavedra, director da revista Gerador e sonhaador com dois aa.

 

Bimestral - com tema, designer e até autores diferentes a cada número - a Gerador é uma revista em constante mutação. Como é o processo criativo de cada número?

O difícil é escolher. Vivemos uma época de ouro na criatividade artística em Portugal. Tantas áreas, tantas pessoas, tantos temas. Mas se existe processo é um processo de constante conversa e descoberta, nunca deixamos uma provocação por ler, por exemplo.

Em 2017 a revista Gerador surge de cara lavada. Queres falar-nos dessas novidades? 

As novidades são todas boas, menos páginas (para os críticos), preço mais baixo (para os que tinham sempre desculpas) e um papel mais brilhante para os que têm mais graduação nos seus óculos. Queremos estar mais perto, por isso temos uma rede de distribuição mais próxima em todo o país e aparecemos mais vezes, porque lá está: há tanta coisa para mostrar!

A Gerador número 12 está quase aí. Podes levantar um pouco o véu do que aí vem? 

O véu não digo, mas a saia pode ser: vamos falar da pronúncia do norte. Das coisas que, desde o Condado Portucalense, nos fazem admirar toda uma região cultural. Todo um grupo de pessoas que não tem papas na língua nem tento nos verbos. A revista será a "rebista" e o doze será o "douze".

 
 

O lançamento será no nosso Manifesto. Haverá alguma surpresa durante o lançamento? 

Sim! Não se irão arrepender mas tragam o sentido de humor nortenho se faz favor, será um encontro nacional sobre a cultura nortenha logo na terra com o melhor peixinho do país. Venham e almocem antes ou jantem depois (aceitamos convites e sugestões).

A cultura portuguesa continua a precisar de amor? 

Quem não precisa?! E nós estamos tão habituados a ser pessimistas que até chateia. Pensem assim: os nossos filhos já não saberão o que é chegar a uma final de futebol e perder sempre. Para eles ser campeão da europa, ter vários patrimónios da humanidade na terra dos pais ou ganhar um Urso de Ouro será já coisa comum.

Além do Gerador, que outras projetos ligados à cultura portuguesa destacas?

Ui tantos: GNRation em Braga, o Centro José Guimarães em Guimarães, as Comédias do Minho em Paredes de Coura, o ACERT em Tondela, o Rua das Gaivotas nº6 em Lisboa, o Guitarras ao Alto no Alentejo, o LAC em Lagos. Todos pelas mesma razão (e desculpem os outros mas é ir à nossa lista de parceiros e tantos tantos bons lá estão). Todos eles trabalham para os portugueses, todos trabalham para os portugueses artistas e para os portugueses espectadores, nisso a descodificação cultural está, felizmente, na moda.

Assumindo que o teletransporte é possível, traça-nos um roteiro para um dia Gerador em Portugal.  

Bom, tomaria o pequeno-almoço, pastel de nata e galão, na Praça da Figueira em Lisboa, “teleportava-me” para uns prédios que há ali na rotunda dos pescadores em Matosinhos, só para um croissant de meio da manhã. Faria uma caminhada por caminhos açorianos (de impermeável vestido). Evaporava de novo para um restaurante que eu cá sei no topo da serra de Montemuro, daqueles onde o vinho verde tinto ainda é servido em canequinhas. Dormia uma sesta com vista para a Ilha do Pessegueiro no litoral alentejano, lanchava um pastel de tentúgal na baixa coimbrã e de olhos fechados entrava na fila para ver um espectáculo no Teatro Nacional Dona Maria II e ainda guardava tempo para um copo e pezinho de dança entre a rua do Coliseu do Porto e a zona dos Clérigos. Bem, nesse dia dormir ao som do rio Alva seria uma benesse.

 
Tiago Sigorelho, André Imenso, Miguel Bica e Margarida Marques: Quatro dos sete mestres-de-obra do Gerador. Fotografia: Diana Quintela/GI

Tiago Sigorelho, André Imenso, Miguel Bica e Margarida Marques: Quatro dos sete mestres-de-obra do Gerador. Fotografia: Diana Quintela/GI