Bastidores da Galeria: 15 Anos da National Geographic em Portugal

 

Poucas marcas serão tão reconhecidas globalmente como a National Geographic. Plantada no coração de milhões de miúdos e graúdos, remete para imaginários de vida selvagem, culturas remotas, paisagens inacessíveis. Aventura, exploração, cultura, descoberta são palavras rapidamente associáveis à revista da moldura amarela, tendo dado origem a uma eloquente e conhecida expressão no meio do fotojornalismo documental: “Beyond the Yellow Border”! 

Coincidentemente, estas são temáticas prementes na linha editorial do Manifesto e que norteiam uma boa parte dos nossos conteúdos. Por isso, enquanto curador da galeria, mas simultaneamente como fotógrafo da revista há mais de uma década, não pude deixar passar a oportunidade de fazer uma retrospectiva do legado da edição portuguesa, por ocasião dos seus 15 anos de vida. Para além de traduzir do Inglês os artigos da casa-mãe, este título produz conteúdos sobre o território nacional, relevantes para Portugal, por fotógrafos e jornalistas portugueses. E assim nasceu a exposição fotográfica que entre Novembro de 2016 e Janeiro de 2017 está presente no Manifesto. Gostava por isso de, nestas linhas, partilhar com os nossos leitores os bastidores desta mostra.

O objectivo era ambicioso: seleccionar 23 das mais representativas fotografias realizadas para a National Geographic Portugal, por fotógrafos nacionais, que ilustrassem a variedade das centenas de reportagens realizadas, navegando entre temáticas tão dispares como conservação de Natureza, arqueologia, história, vida quotidiana, ciência ou tecnologia. Embora conheça uma boa parte dos artigos publicados, por força da minha colaboração continuada com a revista e por privar com boa parte dos fotojornalistas que com ela trabalham, dediquei um dia a folhear individualmente os perto de 200 números publicados desde Abril de 2001, em busca dessas imagens. Depois da primeira pré-selecção alargada, passei ao contacto com os autores, questionando-os sobre outras eventuais imagens: teriam de haver sido produzidas no âmbito de reportagens feitas para a revista, mas poderiam ser inéditas (não publicadas), dando assim uma segunda oportunidade a fotos que, muito provavelmente, não voltariam a sair dos arquivos destes fotógrafos.

Deixando de lado muitos registos poderosos, por força do número de imagens que havíamos definido previamente como ideal para o espaço, chegou-se ao conjunto final, que totalizava trabalhos de 14 fotógrafos diferentes. Passávamos então à tarefa seguinte - as legendas. Nem todas as exposições necessitam de legendas individuais. Num corpo de trabalho único, com um só tema e um só fotografo, a sinopse pode e é muitas vezes suficiente, libertando visualmente o espaço junto às fotografias. Mas num enquadramento documental a máxima “uma imagem vale mil palavras” não vinga, e as palavras são um auxiliar fundamental à compreensão da foto. 

A produção material de uma exposição é também um processo delicado e importante. A escolha de um laboratório de confiança e de materiais adequados são o último mas fundamental passo na sucesso de uma exposição. E, claro, também aqui há gostos pessoais que condicionam o resultado final. Pessoalmente gosto de papel acetinado, entre o matte e o brilhante, sem qualquer revestimento, que mantém vivas as cores da foto sem brilho excessivo. 

O derradeiro passo é então a distribuição das fotografias no espaço físico. E aqui o equilíbrio entre temáticas (que neste caso eram muito variadas), as manchas de cor e a coerência entre fotos individuais adjacentes tornam a disposição um verdadeiro quebra-cabeças em que a abstracção espacial é importante, com muita experimentação à mistura por parte da equipa, que lentamente se vai compondo no resultado final. O resultado está patente até 25 de Janeiro, de 3ª a Sábado, das 10h00 às 19h00, na Galeria Manifesto, Mercado Municipal de Matosinhos. A entrada é livre. Lá vos esperamos! E para aqueles que não possam, aqui deixamos uma visita guiada virtual à exposição: